terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Por uma Espanha aberta à vida!



Boas notícias chegam da Espanha.

Tradução de reportagem em espanhol do site Hazteoir.org:

http://www.hazteoir.org/np/fin-aborto-como-derecho-y-sistema-plazos-exito-movilizacion-ciudadana?

TERÇA-FEIRA, 31 DE JANEIRO DE 2012. - Hoje o ministro da Justiça, Alberto Ruiz Gallardón, assinalou que a reforma da lei do aborto que planeja inclui terminar com o sistema de prazos e a consideração do aborto como um direito. Isso supõe, se confirmado, que "a sociedade espanhola pode sentir-se orgulhosa de haver sido o motor imprescindível para que o novo Governo haja decidido tomar esta decisão", assinala a porta-voz de Derecho a Vivir, Gádor Joya.

"Sem deixar-nos levar por uma euforia excessiva, podemos sim dizer que nos congratulamos em parte e que estamos vivendo um momento certamente histórico" na medida em que se anuncia um retrocesso da legislação abortista e, em consequência, um avanço nas posturas de progresso em defesa da vida", enfatiza Joya.

Restam ainda, entretanto, muitas dúvidas por resolver relativamente ao conteúdo na nova legislação, pelo qual "esperamos que o comparecimento na manhã de quarta da ministra da Saúde na correspondente Comissão Parlamentar exponha com maior clareza os conteúdos concretos da nova legislação".

É preciso recordar que com o sistema anterior ao atual, a sociedade espanhola sofreu a perda de mais de um milhão de vidas, que foi cevada especialmente com os mais débeis (aborto eugênico como nos tempos do nazismo) e que permitiu a alguns, como Carlos Morín, enriquecer-se sem escrúpulos com a matança continuada de seres humanos.



Por isso, e na espera de conhecer o conteúdo da declaração de Ana Mato amanhã no Congresso, Derecho a Vivir convoca - para uma análise mais detalhada - aos meios de comunicação para uma Entrevista Coletiva quarta de manhã, 1º de fevereiro às 12:00 que será realizada na rua José Rodrigues Pinilla, 23. CP 28016, Madri.

Tradução de um trecho de uma reportagem em espanhol disponível em:

http://www.hazteoir.org/noticia/43881-gallardon-defender-derecho-vida-es-lo-mas-progresista-que-haga-en-mi-vida-politica

REDAÇÃO HO / RTVE.- O ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón, defendeu nesta terça a reforma da Lei do Aborto para que seja acolhida a doutrina do Tribunal Constitucional (TC), que sustém que o aborto "não poderia supor a desproteção dos direitos do não nascido", e assegurou que "provavelmente, a coisa mais progressista que terei realizado e minha vida política, é defender o direito à vida".

No programa 'Los Desayunos de TVE', Gallardón estendeu o qualificativo de "progressista" ao resto das reformas anunciadas por seu departamento, especialmente a eliminação das quotas partidistas na eleição dos membros do CGPJ.

Em relação à proposta reforma da Lei do Aborto, que pressupõe recuperar a lei de 1985 e reintroduzir a exigência de consentimento paterno para as menores, denunciou que, em sua última reforma e atual lei em vigor, o Governo do PSOE "obviou" a proteção dos direitos do não-nascido e que o que se fará será fixar "supostos" e não prazos. Assim, será possível continuar abortando quando se produzirem os três supostos contemplado na legislação anterior, violação, má-formação do feto ou risco de saúde para a mãe.

Além disso, será "corrigido outro erro"', disse, o de que uma menor de idade possa abortar sem permissão paterna, quando se dá o paradoxo de que este consentimento é requerido para uma tatuagem ou um 'piercing'.

Questionado sobre as críticas dos que o denunciam por se tornar reacionário ao converter-se em ministro quando como alcaide implantou a pílula do dia seguinte, Gallardón foi taxativo: "Provavelmente a coisa mais progressista que já fiz em minha vida política foi defender o direito à vida".


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Uma lufada de ar fresco

Tradução de artigo em espanhol disponível em http://www.camineo.info/news/136/ARTICLE/18811/2012-01-23.html.

Autor/Fonte:
Cardenal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito de la Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
Seg, 23 de Janeiro de 2012

Na manhã de sexta-feira, em Roma, o Papa Bento XVI recebeu em audiência vários milhares de membros do Caminho Neocatecumenal. Foi um encontro gozossímo, como uma lufada de ar fresco em tempo de estiagem. Só a fé vivida em profunda comunhão eclesial com Pedro, com seu sucessor, o Papa, pode provocar experiência semelhante, tão gratificante como estimuladora. Dava-se leitura ao decrete de aprovação das celebrações do Caminho Neocatecumenal contidas no "Diretório Catequético" dos neocatecumenais; eram enviados muitos sacerdotes e famílias, que tudo deixavam, para missão em lugares nada fáceis para o anúncio do Evangelho. O Papa, com uma alegria grande que não dissimulava, falava-lhes do significado do encontro, da missão, do seguimento de Jesus Cristo, do verdadeiro sentido e espírito da liturgia, e, finalmente, abençoava famílias e sacerdotes em missão, aos membros, responsáveis, catequistas de fundadores do Caminho Neocatecumenal - Kiko e Carmen. Havia uma especial expectativa: a aprovação, tão anelada, das celebrações, não litúrgicas, que assinalam as diferentes etapas desse Caminho de Iniciação Cristã.

Sem dúvida alguma o Caminho Neocatecumenal é uma das novas realidades eclesiais, surgidas precisamente do Concílio Vaticano II para promover uma nova evangelização de nosso mundo e renovar a iniciação cristã, tão urgente como necessária. Estimo que é uma das iniciativas mais notáveis e difundidas, suscitadas pelo Espírito Santo na Igreja, que melhor respondem tanta à natureza e exigências da Iniciação Cristã, como à necessidade imperiosa e urgente de renovar, promover e fortalecer, com vigor e identidade, uma nova pastoral dessa Iniciação Cristã, bem como dos procedentes do paganismo, bem como dos batizados insuficientemente iniciados, cuidando por completo de todos aqueles elementos que, em seu conjunto, integram uma verdadeira Iniciação Cristã de caráter catecumenal, conforme às orientações e diretrizes emanadas da Igreja no Concílio Vaticano II, e no magistério e disposições posteriores da Igreja.

No centro do Caminho Neocatecumenal percebe-se a convicção certa de que o catecumenato pertence à entranha mesma do batismo, bem seja antes de receber o batismo, bem seja posterior à sua recepção: é um caminho para viver em conformidade com quanto se significa e contém no sacramento do Batismo.

A alma e a força
A Palavra de Deus, a Eucaristia, o batismo - recebido ou por receber, e a comunidade cristã estão no núcleo mesmo deste itinerário de fé, que é acompanhado por celebrações não estritamente litúrgicas em cada uma de suas passagens ou etapas. A Eucaristia dominical, antecipada habitualmente ao sábado pela tarde na comunidades neocatecumenais é como "a alma e a força" de todo o Caminho. A celebração, no interior do itinerário próprio destas comunidades, da Eucaristia é levada a cabo de maneira muito digna e bela, com grande sentido de fé, com espírito eclesial, festivo e litúrgico, com profundo "sentido do mistério e do sagrado". A Palavra de Deus e a Eucaristia assinalam a prioridade de Deus, a iniciativa de Deus e constituem a base e a fonte que dão, alento e força às comunidades, capacidade, vigor e liberdade para dar testemunho e evangelizar.

Realmente é preciso dar graças a Deus por este dom com que enriquece a Igreja, surgido na Espanha, mas de tanto e tão fecundo influxo no mundo inteiro.





segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

É possível ter filhos e ser feliz

Tradução de reportagem do site Camineo.Info:


Autor:
MILAGROS ASENJO /ABC


Seg, 28 Dez 2009 07:49:00


"É possível querer, é possível ter filhos, é possível ser feliz". Com estas palavras expressa Yolanda, uma burgalesa mãe de doze filhos, de entre 20 anos e quatro meses, as razões de sua presença na missa das famílias. Enquanto amamenta a Clara, a caçula de seus filhos, na sala de amamentação habilitada para a ocasião, assegura que o segredo de sua numerosa família está em haver deixado que a vida chegasse a seu lar "Como Deus quisesse, sem lhe por obstáculos, pois não tenho poder nem sobre a vida nem sobre a morte".


Por que viajaram a Madri, apesar das inclemências do tempo? "A Cabeça da Igreja nos pediu e não fizemos outra coisa que obedecer", responde, ao mesmo tempo que lamenta que a família cristã esteja "quando menos muito oculta" e se mostra decidida a mudar a situação. E quis que todos seus filhos participassem da festa, apesar da madrugada e das horas de ônibus, "para que se envolvam nisto e vejam que seus pais lhes estão dizendo a verdade".


Entre a multidão congregada na Praça de Lima há uma infinidade de crianças e bebês que em sua maioria dormem placidamente.


Entre eles está Daniele, de quatro meses de idade, o menor dos quatro filhos de Gianluca e Chiara, um casal vindo de Lecce, uma cidade do sul da Itália. Junto a eles, Sara, Marta e Davide, de oito, seis e dois anos.


"Viemos a Madri para dar testemunho de nossa experiência e exemplo de família cristã à Espanha, Itália e toda a Europa", afirma Gianluca.


Como no caso de Yolanda, Gianluca e Chiara sustentam que "é possível uma família feliz". Os quatro filhos suportam o intenso frio de Madri protegidos por umas mantas e os mais pequenos dormindo em seus carrinhos.


Pouco antes de começar a cerimônia, comentam que a viagem "não foi difícil" e que os filhos se comportaram muito bem. Estamos muito contentes e é reconfortante o ambiente que se vive neste lugar". Em relação com sua numerosa família ressaltam que no casamento "o amor se realiza no fruto dos filhos". E a modo de conclusão asseguram: "Voltamos à Itália com um espírito renovado e cheios de alegria".


A poucos metros, um buliçoso grupo entretêm sua espera com canções e risos. São cinco famílias de Valverde del Camino (Huelva) que somam 15 filhos.


"Viemos no primeiro anos e não mais deixamos de fazê-lo", afirma Maria José. Todos estão de acordo em que vale a pena fazer um caminho como o que percorrem há três anos "para defender a vida e a família" e para reclamar de quem corresponda seu apoio.



As imagens deste post são da Festa da Família Cristã em Madri 2009, de autoria de Javier Cebreros. Esta e outras imagens podem ser vistas nesta página.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Festa da Sagrada Família 2009


Tradução de reportagem do site Camineo.Info:


Kiko Argüello, iniciador do Caminho Neocatecumenal, foi o promotor de que este ano a Missa pela Família, que se celebrará na Praça de Lima este domingo 27, às 10 da manhã, sob o lema "O futuro da Europa passa pela família", tenha um marcado perfil europeu. Numa entrevista concedida a ABC, Argüello comenta que, apesar da algumas iniciativas legislativas que se tem dado na Espanha, como a lei do aborto, o encontro "não terá caráter político nem se atacará a ninguém".


Por que este ano a Missa pela Família congregará a fiéis de toda a Europa?


É o terceiro ano no qual o Cardeal Rouco quis fazer este encontro a favor da família. Falando com o cardeal dissemo-lhe que a situação da família é difícil e que seria bom abrí-lo a toda a Europa. Pareceu-lhe estupendo e consultamos alguns cardeais, que mostraram seu entusiasmo e disseram que é necessário dar um testemunho; apoiar a família em toda a Europa, que está fortemente ameaçada por um ambiente laicista. Além disso, ficamos surpresos ao ver que o cardeal Barbarin, de Lyn; o cardeal Sterzinski, de Berlín; o cardeal Vallini, de Roma; o cardeal Antonelli, etc. mostraram seu apoio e disseram que vêm, ainda que seja uma data difícil, pois está em meio ao Natal.


Quantos membros do Caminho Neocatecumenal está previsto que se desloquem a Madri?


É difícil dizê-lo. Os irmãos têm tal gratidão ao Senhor, porque os abriu à vida e porque têm uma família cristã, que estão dispostos a apoiar em tudo. As últimas notícias que temos é que mais de 10.000 vêm da Itália; 700, da Croácia; 500, da França. De toda Europa virá um número enorme de pessoas. Chegarão também da Letônia, Lituania, Áustria. Da Alemanha virão mais de 800; da Espanha, cerca de 70.000. Uns 30.000 da Andaluzia; 25.000 de Valência e Múrcia. Não temos dados exatos. Sabemos, por exemplo, que somente de uma paróquia de Valência vêm 17 ônibus.


Há hoje mais razões na Espanha para reunir a família do que a um ano atrás?


Estamos em meio de uma sociedade que de alguma maneira está vomitando o cristianismo. Toda a situação que nos rodeia é um ambiente de tipo laicista. No norte da Europa - temos comunidades em Estocolmo, Noruega, Finlândia - a situação é muito difícil. A família praticamente não existe. O governo sueco, por exemplo, está muito preocupado porque se calcula que 70% das pessoas vive completamente só. A sociedade a que nos dirigimos é muito dura, pois as pessoas estão sozinhas, envelhecem sozinhas e o nível de suicídios é altíssimo. Tanto é assim que nada falam dos suicídios pela quantidade de milhares e milhares de pessoas que nele caem. E sobretudo a quantidade de casos de alcoolismo que há, que é gravíssima.


Como vê a situação da família na Espanha com iniciativas como a lei do aborto?


Na Itália estão surpresos pelo que se passa na Espanha. Tinham a idéia de que a Espanha era católica e não compreendem o que está se passando com esta lei do aborto, que permite às moças de 16 anos abortar sem a permissão dos pais. Temos que ter discernimento e compreender o que se está passando na Europa.


O que se promove com esta Missa?


Queremos que com este encontro a Igreja faça uma reflexão sobre seus próprios pecados, pois quando o Papa Paulo VI pediu com a "Humanae Vitae" que se abrissem à vida, muitos não seguiram esta palavra de Pedro. O não haver feito caso desta encíclica foi algo catastrófico pois permitiu que muitas famílias limitassem o número de filhos. O permitir que os casais não estivessem abertos à vida deu luz verde em muitos casos ao divórcio. É uma situação difícil, que necessitamos mudar. Este encontro quer dizer à Igreja: "Irmãos, obedeçamos a Pedro, abramo-nos à vida e salvaremos a Europa".


Haverá algum espaço para que os bispos e cardeais que vierem da Europa enviem alguma mensagem aos presentes?


Na primeira parte, antes que conectemos com o Papa, alguns cardeais oferecerão uma saudação aos irmãos que chegarem de toda a Europa. Não será nenhum encontro de tipo político ou social, nem se atacará a ninguém. É a Igreja, poderíamos dizer, a que está enferma e a que tem de repensar-se a si mesma.


O que tem de fazer a Igreja, segundo sua opinião?


É necessário que a Igreja ponha em marcha uma nova evangelização. O Caminho Neocatecumenal está abrindo nas paróquias uma iniciação cristã que, vivida em pequenas comunidades, mostra o amor entre eles. Queremos ajudar as famílias dizendo-lhes que Cristo venceu a morte e nos dá a vida eterna. Por isto, ânimo! Queremos dizer a todos que venham a este encontro, se crêem que a família cristã é algo positivo para o futuro de nossa sociedade.


Esta foto de Miguel Angel Gallardo mostra a Festa da Sagrada Família de 2008, na Praça de Colón, em Madri.

sábado, 16 de maio de 2009

Renovar a Família


Tradução de notícia do site Camina Y Ven:

O Instituto João Paulo II decidiu conferir a Kiko Argüello - iniciador do Caminho Neocatecumenal juntamente com Carmen Hernández - o doutorado "honoris causa" pela plena valorização da família como sujeito eclesial e social em plena concordância com o pensamento de João Paulo II.

A decisão do Pontifício Instituto para a Família de conferir o doutorado é particularmente significativa não apenas pela data - 13 de maio de 1981, festa da Virgem de Fátima é o dia no qual o Servo de Deus João Paulo II sofreu o atentado da parte de Agca - mas sobretudo porque o Instituto é parte da Universidade Lateranense, definida como a "Universidade do Papa", e foi querido pessoalmente pelo Papa Wojtyla para colaborar com a obra de evangelização a partir de um ponto de vista teológico e pastoral.

"Este instituto pretende oferecer a toda a Igreja - disse João Paulo II quando anunciou a fundação - aquela contribuição de reflexão teológica e pastoral, sem a qual a missão evangelizadora da Igreja virá a necessitar de um auxílio essencial. Este será o lugar no qual se aprofundará a consciência da verdade sobre o matrimônio e sobre a família à Luz da fé, e também com a ajuda de várias ciências humanas".

Com o dito reconhecimento se reconhece o aporte teológico e pastoral do Caminho Neocatecumenal à obra de defender a família atacada hoje por uma cultura "antifamiliar". "Nossa sociedade está desestruturando a família - disse Kiko em sua lectio doctoral - no tempo (ritmos de trabalho e horários escolares), nos componentes (uniões de fato, divórcio, etc.), no modo de viver, mas sobretudo através de uma cultura que nos rodeia contrária aos valores do Evangelho. Estamos convencidos de que a verdadeira batalha que a Igreja está chamada a sustentar no terceiro milênio, o verdadeiro desafio que deve assumir é onde se joga o futuro de nossa sociedade, é a família".

O haver levado à família o dom do batismo é o centro da motivação do doutorado. "O acercar-se a pessoa às águas do batismo - disse o professor José Noriega representando o Instituto - permitiu que o rio de água viva que mana de Cristo possa dar outra vez vida ao longo de seus afluentes, fazendo possível que a família possa reconstruir-se e florescer, ...em pequenas comunidades, nas quais a autêntica pastoral de ajuda à família, atuando assim segundo o espírito de nosso fundador o Papa João Paulo II".

O professor Noriega destacou os três principais méritos do Caminho e de seus iniciadores:

1. O ter aberto à fecundidade os casais: "os casais do Caminho tem querido viver seu amor com uma singular abertura à vida, sabendo-se colaboradores de Deus na geração das pessoas."

2. O haver aberto um caminho para reintroduzir na família uma liturgia doméstica: "um dos frutos mais significativos da missão de transmitir a fé aos filhos é haver encontrado o âmbito próprio do testemunho dos pais que ajuda os filhos a entender a relevância da Palavra na própria história concreta... É aqui de onde se vai reconhecendo uma das razões principais do grande fruto de vocações que as famílias do Caminho tem sabido aportar".

3. O haver estimulado a missão da família: "no contexto de uma espantosa secularização de vastas zonas da terra, onde a fé está em perigo de extinguir-se como uma chama que já não encontra nutrição, o Caminho Neocatecumenal soube fazer presente a Deus em uma forma singular: falo do grande testemunho das famílias em missão. Uma missão vivida por toda a família como tal, levando à paróquia e ao mundo o testemunho do que é uma família, com suas dificuldades, mas sobretudo com suas grandes esperanças".


quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Grande Família (II)



Os filhos? Correspondem ao mesmo projeto de vida. "Partimos de uma base -- explica Rafael. O que é o matrimônio? Doação. Não é comprazer-se mutuamente, senão entregar-se ao outro. O fruto disto são os filhos"..

Insistem em que não é uma questão de cifras ("vamos ter tantos e tais filhos"), senão de ver cada caso concreto, pois "cada filho é único, é uma história distinta, com suas próprias e irrepetíveis circunstâncias." .

"É muito simples... Rafael vê tudo claro como o cristal da Boêmia... estamos aqui para fazer a vontade de Deus". Paloma tampouco se altera ao dizer: "Como mãe, tenho o privilégio de ser colaboradora de Deus, sem mim, ele não pode criar" Anticoncepcionais?.

"Ou te entregas ou não te entregas -- assegura Paloma. Usar anticoncepcionais é mentir com teu corpo". Chegaram assim a 16... por enquanto. Um planejamento suicida ou romântico, conforme o ponto de vista. .

UMA ASSEMBLÉIA NAS REFEIÇÕES. O que não quer dizer que não tenham passado por dificuldades. E que não estejam conscientes da vida de trabalho e de renúncias que caiu sobre suas costas..

Entretanto dizem ser felizes..

A notícia de cada nova gravidez é acolhida pelo "povo" com grande alegria. Como todas as notícias importantes, os pais aproveitam as refeições para passá-la, a pitoresca e agitada "ágora" familiar, o único momento do dia em que estão juntos e no qual se contam as coisas..

Os Benitez dão muita importância à mesa. É uma oportunidade que Paloma e Rafael aproveitam para por a antena e detectar estados de ânimo, é como uma Torre de Babel ao contrário, em que todos se entendem..

Como me organizo? Paloma passa os olhos pelo teto, como se buscasse respostas, "Vivo cada dia. Não planejo, não posso planejar, tudo é imprevisível. Não deu para fazer tudo? Não acontece nada. .

E o marido? O que faz? "Paloma governa a casa, eu dirijo o tráfego". Não é piada. Dirigir os filhos é estar por cima deles, reuní-los em grupos para dar-lhes instruções e o que se parece com os briefings dos pilotos, e, acima de tudo, escutá-los. Os filhos passam todo o dia perguntando e pedindo. E Rafael é uma espécie de orelha enorme. "Não é apenas mantê-los e educá-los -- afirma. É algo mais. Ter filhos é dar-lhes a vida e dar a tua vida, porque cada filho te come"..

"A economia? Vivemos de milagre, vivemos cada dia". E intensamente cada dia. Rafael e Paloma estão entregues de corpo e alma ao seu trabalho de missionários seculares do Caminho Neocatecumenal, mas em troca não recebem nenhum salário. Vivem das coletas de seus "irmãos" neocatecumenais. Isto significa que estão permanentemente no ar. "Nunca nos faltou o fundamental" comentam "mas sabemos o que é viver na corda bamba". .

Seu plano de vida os obrigou a passar por não poucas estreitezas. Viveram durante anos numa casa de cinco cômodos. A casa atual, dois pisos unidos que somam oito cômodos espaçosos, foi emprestada faz um ano por um "irmão". A qualquer momento podem estar outra vez "no ar". "A mesma coisa. A qualquer momento podem nos pedir que vamos aos Estados Unidos, por exemplo, para desenvolver lá nossa tarefa de evangelização"..

Apesar de tudo, dizem ser muito felizes. Sabem que já não se usam famílias como a sua, mas nem por isto se sentem diferentes. Rafael, que como missionário sabe na ponta dos dedos as Escrituras, põe um exemplo: "É como os primeiros cristãos. Somos o sal da terra. Muito poucos, sim, mas é o sal que dá sabor"..

Reconhecem sentir-se admirados quando saem à rua e causam escãndalo por onde vão. Mas o assumem. Consideram que em uma família numerosa os filhos se educam praticamente sozinhos. "É toda uma escola de vida, de caráter. Aqui é praticamente impossível contemplar o próprio umbigo". .

Esta mesma família pode ser vista neste vídeo, realizado por volta de 2003, fazendo sua Oração de Laudes dominical com os filhos.

A Grande Família (I)



Esta é a tradução de uma reportagem do jornal espanhol El Mundo, publicada em dezembro de 1994. O texto original pode ser lido aqui.


Rafael, 40 anos, e Paloma, 37, não pensavam em ter mais do que 3 ou 4 filhos quando se casaram. A sua não é uma família numerosa, mas sim multitudinária, uma raridade em nossa época. Os Benitez são o casal espanhol que dialogou com o Papa no recente encontro com as famílias. Como vivem? Como chegam ao fim do mês? Como se organizam? Como educam sua interminável prole?

Estacionado na esquina de uma rua de Granada, onde vivem, vê-se o furgão, uma Citroen C25D branca com três fileiras de assento, e se pensa: "são eles". O veículo possui treze assentos, nove deles são oficiais com seus encostos de plástico preto, e quatro são "piratas", correspondentes a dois assentos geminados que brotaram milagrosamente do porta-malas. No porta-luvas, vermelho sobre preto, uma lata de Coca-Cola.

No fone da portaria se ouve o rumor característico de "broncas", e se sobe com certa prevenção as escadas. Imagina-se uma multidão de narizes pingando, joelhos sujos, boladas na parede e choradeira, uma mistura de A grande família e dos contos dos irmãos Grimm, com um lenhador pobre e sua fileira interminável de crianças. Mas quando se entra na casa dos Benitez, parece que erramos de endereço.

É um lar cálido, onde tudo parece limpo e recolhido, onde não se ouve uma voz mais alta do que a outra, embora não falte o contraponto de choros e risos. No vestíbulo se vê uma salão decorado com austeridade, mas também com graça. No quintal, banhos de sol.

Rafael, com sua barba de navegador solitário e seus olhos azuis, parece provado pela vida.....e pela tropa que tem ao seu encargo. De Paloma, cabelos curtos, olhos escuros, doce e tímida, ninguém diria que teve catorze partos, uma cesariana, e que tem mais um filho a caminho..

Começam a aparecer cabecinhas vermelhas e olhos insultantemente azuis, que te examinam em silêncio. Os irmãos Benitez são esbeltos, formais e disciplinados. A meninas são de chamar a atenção..

Duas coisas chamam a atenção ao vê-los. São extraordinariamente tranqüilos, a antítese da confusão, do estresse, da cara de velocidade. Correm, riem e jogam, mas sem fazer escândalos, como se uma mão invisível abaixasse o volume. No início se pensa que a harmonia durará pouco, que tudo mudará quando ganharem confiança, mas convive-se com eles um dia inteiro, incluída uma agitadora sessão fotográfica, e continuam a transmitir a mesma sensação de calma e serenidade..

Há um segunda coisa. Apresentam os filhos: Flor, Alma, Belén, Francisco Pedro, Jorge, Maria, David, Pablo, Clara, Daniel, Jesús, Miguel, Elena e Lídia, e parece que todos são gêmeos e que seus pais devem ser incapazes de saber quem é quem, e quem vem depois de quem. Nem tudo ocorre desordenadamente. Às vezes, o pai se dirige à turbamulta de irmãos e chama a um por um nome que não é o seu, e depois de ter queimado três ou quatro cartuxos, recorre ao "Como-te-chamas, vem aqui!"..

O certo é que, mais do que uma família, parecem uma população. Quinze filhos e mais um na lista de espera. Sete filhos e oito filhas. A maior, Flor, uma garota moderna e estilosa que estuda Filologia Semítica, tem vinte anos; e a menor, Lídia, uma garotinha que te olha com ceticismo de sua cadeirinha, um ano recém completado. O máximo de diferença entre um e outro é dois anos, e só há quatro destes oásis demográficos..

Quinze e vem mais um! Dezesseis preocupações; dezesseis trabalhos; dezesseis preocupações de nutrição, limpeza, vestimento e manutenção; dezesseis cabeças para ensinar e educar; dezesseis infectados de sarampo, catapora e outras doenças. .

E tudo isto para Rafael e Paloma, que não pensavam em ter mais de três ou quatro filhos quando se casaram, quase adolescentes, em Castellón, de onde são naturais e onde vivem seus pais. Tinham 20 e 17 anos respectivamente, e suas economias não davam para muito. Os dois procediam de famílias simples. Ele, concretamente, era filho de um guarda civil, corporação à qual chegou a pertencer, depois de recolocar-se na guarda militar. Os dois gostavam de crianças, mas moderadamente. Ainda que pareça uma coisa bonita, quando Paloma chegou à segunda gravidez, aquilo lhe pareceu uma multidão. Por eles mesmos, teriam parado aí.. E não apenas isto, senão que se teriam convidadado mutuamente a plantar batatas. Tinham problemas. Tinham se casado sem se conhecerem profundamente, e as surpresas começaram a aflorar á superfície, como o petróleo de um petroleiro afundado. Cada um vivia por si, não se suportavam e planejaram a separação. Chegaram a ficar alguns dias fora de seu domicílio conjugal. .

Superaram o aperto graças à sua fé religiosa. A história dos Benitez não se pode entender sem este fator. Conheceram, através de uma paróquia, o Caminho Neocatecumenal, um movimento evangelizador da Igreja Católica, e se fizeram missionários seculares. Reconstruíram seu casamento, perdoando-se e aceitando-se mutuamente, tal como eram.



segunda-feira, 2 de março de 2009

O Princípio Antrópico


Tradução de uma reportagem do site Camineo.info:
Mn. Francesc Nicolau i Pous
26-02-2009

CAMINEO.INFO.- O cosmólogo Branden Cárter, do observatório Meudon de Paris, chamou "Princípio Antrópico" ao enunciado que afirma que as condições que existem no universo são as necessárias para que exista vida inteligente. Era uma simples constatação. Mas muitos cosmólogos ecoaram esta afirmação, que tem sido comentada e interpretada de diversos modos. Resumindo, podemos dizer que hoje em dia as formulações deste princípio se reduzem a duas: a "fraca" (que afirma o fato: as condições que apresenta o cosmos são as que fazem que possa existir vida inteligente) e a "forte" (que diz que com estas condições necessariamente teria de surgir vida inteligente no universo que conhecemos), mas ambos os enunciados admitem variantes.

Trata-se de uma constatação importante .

O que provocou a idéia deste princípio é a constatação de como uma pequena variação dos valores das constantes cosmológicas tem descoberto teria originado um cosmos diferente e incapaz de abrigar a vida. De todo modo, uma constatação não é propriamente um princípio que teria a categoria de uma lei natural. O enunciado fraco se limita a dar fé de um fato. Como disse Robert Dicke, físico de Princeton, em 1961, só poderia ter categoria de princípio caso fosse entendido no sentido "forte", deste modo: "Dado que no cosmos teria de haver vida inteligente, por esta razão tomaram as constantes físicas os valores que possuem, para que a vida inteligente existisse". Pode-se enunciar assim? Se se diz deste modo, nos encontramos que é como se enunciasse um designio divino. Pode a pura ciência afirmar tal coisa?.

O que é claramente científico é o que se tem averiguado em cosmologia sobre os valores das realidades físicas que conformam nosso universo. Se possui 13.700 milhões de anos de existência é porque este é o tempo necessário para que existam os elementos pesados (carbono, oxigênio, cálcio, ferro,...) imprescindíveis à vida, pois são sintetizados no interior de estrelas ao longo de milhões de anos. Sabemos que uma estrela em fase de supernova acaba expulsando-os para o exterior e assim podem acabar por formar depois um sol como o nosso, com planetas que possuem estes elementos. Mas há muito mais. Fred Hoyle (1915-2001) estudou como se podem formar carbono e oxigênio nas reações nucleares do interior de uma estrela que originariamente apenas possuiria hidrogênio e hélio. Foi um cálculo trabalhoso, no qual se constatou que, caso as forças nucleares não fossem as que são, o oxigênio e o carbono não poderiam ser produzidos em quantidade suficiente, e a vida no cosmos (em nossa Terra) teria sido impossível. A coincidência na síntese destes dois elementos parece uma montagem intencional; por isto Hoyle (que não crê em um Deus pessoal) se vê forçado a dizer: "Se quiséssemos produzir carbono e oxigênio nas quantidades requeridas teríamos que estabelecer com precisão estes dois níveis, e fazê-lo de forma muito ajustada. Uma interpretação razoável dos fatos é que uma inteligência superior interveio com a física, com a química e com a biologia, e que não existem forças cegas na natureza" (como não crê em um Deus cristão tem de recorrer a um certo panteísmo para das explicação ao fato).

O que foi dito poderia ser explicado por mera casualidade? Poderíamos repassar muitas outras "casualidades": a expansão do universo possui a intensidade permitir o que se originou. Uma constante de gravitação algo maior ou um pouco mais baixa não permitiria a existência de um sistema solar como o que observamos. Com uma carga elétrica um pouco distinta o elétron não permitiria a formação dos elementos que existem. Se a constante de Planck fosse outra, se a massa do próton variasse em milionésimos, se a velocidade da luz fosse mais alta, se a diferença de massa entre o nêutron e o próton fosse outra... "as estrelas e os planetas não poderiam existir... nunca se teriam formado os átomos e não estaríamos aqui para ter conhecimento disto" (J. Barrow e R. Tipler em The anthropic cosmological principle, Oxford, 1986). Nisto estão de acordo todos os físicos.

Que valor deve ser dado, portanto, ao princípio antrópico?

Contemplando friamente estes fatos, sem preconceitos, uma inteligência humana resiste a pensar que tudo deva ser atribuído à casualidade. Há os que preferem afirmar: Se existimos, dizem, é porque casualmente o cosmo é como é. Não se pode negar que não faltam à lógica pensando isto, mas muito menos faltamos a ela se, como Fred Hoyle, mas voltando-nos à transcendência, afirmamos que não são forças cegas as que construíram este universo, mas uma Inteligência superior o estruturou como o vemos.

O filósofo francês Jean Güitton em Dieu et la Science (París, 1991) diz: "O universo parece ter sido minuciosamente regulado para permitir a emergência, primeiro de uma matéria ordenada, depois da vida e finalmente da consciência. Se as leis físicas não houvessem sido rigorosamente como são, então, como sublinha o astrofísico Robert Reeves, 'não estaríamos aqui para falar sobre elas'. Melhor ainda, se o mesmo se desse com uma só das grandes constantes universais.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Eluana Englaro


Notícia do portal Camineo.info : O Cardeal-Arcebispo de Gênova, Ângelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana publicou ontem, ante o caso de Eluana Englaro, no Avvenire um editorial intitulado "Mais obscuridade em nós e a vida mais atacada": Um artigo que, comentando esta tragédia, acaba dizendo "não podemos calar". Eluana começou o caminho forçado até a morte, porque iniquamente está sendo privada de alimentos e água. Se não surgirem novos fatos, este será seu injusto destino.
Embora muitos reconheçam que está em estado vegetativo permanente, esta jovem mulher não está conectada a nenhuma máquina e respira livremente. Portanto não é preciso desconectar nenhuma máquina, como se quer fazer crer. Para viver necessita alimentar-se, como todos, ainda que em seu caso deve ser ajudada, pois não pode fazê-lo sozinha. Mas existe outra máquina destinada a encurralar nossa sociedade. E não só aos crentes ou às pessoas que compartem a mesma sensibilidade cultural. Há uma pergunta que não pode ser censurada: Como é possível fazer morrer a uma pessoa em nome de uma sentença?
Como se pode tolerar, na mentalidade comum, que passe uma pretensão como necessidade, isto é, o direito a morrer, em lugar de sustentar e garantir, inclusive nas situações mais extremas, o direito à vida? Ante esta situação há que se falar de eutanásia, que é uma falsa solução ao drama do sofrimento, uma solução indigna do homem, como recordou recentemente Bento XVI, o qual acrescentou que a verdadeira resposta não pode ser a de fazer morrer, ainda que seja por meio da "doce morte", senão dar testemunho do amor, que ajuda a afrontar a dor e a agonia de maneira humana.
Verdadeiramente, diz o purpurado italiano, uma pergunta aborda nossa consciência: não dar alimento e água a uma pessoa, como se pode chamar senão homicídio? Ante o drama da vida débil ou ferida, a única resposta razoável e humana que traduz o tormento interior que a todos nos afeta é a das religiosas de Lecco. Durante 15 anos estas religiosas acolheram com amor a Eluana, atendendo-la dia e noite e manifestando até o fim o desejo de gerá-la cada dia com o amor. Desta maneira mostraram, não com palavras, como se atua ante o imprevisível da dor e como se atua ante a indisponibilidade da vida. Uma luz está se apagando, a luz de uma vida. E a Itália está mais obscura.
Um grande vazio nos sobrevoa, destinado a crescer nos dias que se sucederão. E não só porque Eluana não estará já mais entre nós, senão porque a cultura hegemônica mais uma vez haverá negado a realidade da limitação, a realidade da dor que a razão - inclusive buscando aliviá-lo - o considerou sempre parte da vida mesma. A realidade do sofrimento que a fé não exalta em si, mas que na cruz de Cristo se ilumina de significado e de valor. Se percebe a sensação de que a confiança recíproca falhe, pois de fato falhou o favorecer à vida, que desde sempre é a base das relações interpessoais.
Devemos preocupar-nos seriamente ante a concatenação de circunstâncias que vão produzindo um êxito inaceitável como este. Este doloroso assunto que vê no centro uma pessoa que todos sentimos nossa, nos deixou mais inseguros. Não percamos a ocasião para reafirmar de maneira mais convencida e coral o sim à vida; para dar, como sociedade, um passo decisivo e exemplar no caminho do humanismo real e não de palavrório. Por isto não podemos calar.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Em prol da família



Amanhã, 28-12-2008, Festa da Sagrada Família, realizar-se-á na Praça de Colón em Madri, Espanha uma nova Jornada pela Família Cristã, repetindo a que ocorreu no final do ano passado. No site Camineo.info encontrei a seguinte entrevista de Kiko Argüello sobre este tema, que traduzi para o português:

LAURA DANIELE 22-12-2008
ABC.

-Kiko Argüello, iniciador do Caminho Neocatecumenal, foi um dos principais impulsores da Jornada pela Família Cristã, que este ano será celebrada através de uma solena Eucaristia, no próximo Domingo, 28 de dezembro, na Praça de Colón em Madri, em razão da festividade da Sagrada Família. Em uma entrevista concedida a ABC, Argüello comenta que com esta iniciativa a Igreja pretende "animar a todos os cristãos a tomar consciência de que a família é o bastião fundamental da sociedade" e que "não apenas a ação política ou social" pode ajudar a melhorar a atual situação que atravessa esta instituição na Espanha, senão também "a celebração da Eucaristia e a oração".


-Como surgiu a iniciativa de repetir este ano o encontro das famílias cristãs em Madri?


-O futuro da Humanidade passa pela família. Esta frase a disse João Paulo II na praça de Lima, em sua primeira visita à Espanha. Assim podemos dizer que o futuro da sociedade espanhola passa pela família cristã. Por isto, depois do "Family Day" da Itália e do encontro em Madri há um ano trás, pensou-se apoiá-lo de novo, já que muitas famílias estão rodeadas de gente que se divorcia; o homem é um ser social que imita o que sucede ao seu redor. Trata-se de animar aos cristãos, dizendo-lhes que nem todo mundo se divorcia, que a família cristã é um bastião fundamental da sociedade nova que foi fundada no cristianismo por Jesus Cristo: que com sua morte e ressurreição nos salvou do inferno e da morte. É preciso gritar desde a Igreja, desde as comunidades cristãs, e, sobretudo, desde a família, que a morte foi vencida pela vitória.

-Por que se decidiu mudar o formato do encontro?


-Pensou-se em celebrar uma Eucatiristia para pedir à Sagrada Família de Nazaré que ajude à Espanha, também para rezar por todas as famílias. Pois não se trata somente de uma ação política ou social, senão que é preciso pedir a Deus, todos juntos, que ajude à família, já que nos julgamos o futuro da Espanha, o futuro da Europa e o futuro da humanidade. Isto o sabe muito bem Bento XVI. Por isto nos dirigirá umas palavras de apoio.


-A festividade que se celebrará no Domingo sempre passou um pouco despercebida.


A festa da Sagrada Família de Nazaré passa despercebida porque se encontra entre duas festas muito importante, o Natal e o Ano Novo. Por isto, é necessário dar-lhe a relevância que merece porque a ameaça maior que existe hoje na sociedade européia é contra a família. Porque se se destrói e se modifica a família se destrói e se modifica a sociedade. Assim pois, destruindo a família a sociedade fica à deriva, sobretudo os jovens ficam à deriva de si mesmos. Estes dias o Papa falou que no Natal se dão dois caminhos: por um lado, o dramatismo da história em que todo homem, ferido pelo pecado, está sempre buscando a felicidade e um sentido satisfatório da vida e da morte. Por outro, o amor de Deus, que sai ao encontro do homem para comunicar-lhe Jesus Cristo, a Verdade que salva.

-Que expectativas tem vocês com este segundo encontro?


-Estamos convencidos de que será muito importante. É fundamental que a Conferência Episcopal Espanhola haja apoiado este encontro, que os bispos estejam de acordo em que é preciso apoiar a família cristã, que sua essência leva consigo o anúncio da vitória sobre a morte.


-Que missão tem uma família cristã em relação a seus filhos? Existe uma proposta cultural "anti-família"?


-A família cristã transmite a fé aos filhos e os aceita como um dom de Deus. Os bens da família são sem dúvida imensos e isto o sabe muito bem o demônio, que intenta por todos os meios destruí-la com a cultura que nos rodeia, que vai contra a família cujo amor central é indissolúvel e eterno. Por exemplo, todos os meios de comunicação, a televisão, os filmes, fazem com que a família esteja acossada por uma realidade social que a rodeia. Há um conceito do amor que é falso, o amor como um hedonismo sem sofrimento. Por isto querem tirar o crucifixo. Mas Deus mostrou em Jesus Cristo a grande notícia de que o Espírito Santo disse aos Apóstolos em Pentecostes que este Homem ao qual haviam crucificado era Deus. Cristo crucificado é a única Verdade.


-Como animaria aos que ainda hesitam em comparecer à Praça de Colón no dia 28?


-Que é preciso comparecer para apoiar a família porque nos julgamos o futuro de uma sociedade melhor, para os jovens, para nossos filhos, para os anciãos. Uma sociedade onde não há família é uma sociedade de gente só. Alcoolismo, suicídios, eutanásia, droga, abortos, delinqüência, etc. É esta a única sociedade? É preciso dizer não, pois Cristo ressuscitou e está vivo em sua Igreja. Hoje é urgente evangelizar, abrir a iniciação cristã nas paróquias, ajudar às famílias. Nos divorciamos porque não somos cristãos. Não somos cristãos porque não estamos evangelizados.

No site Camina Y Ven encontrei também a seguinte reportagem sobre este encontro:

(Belén Manrique - LA RAZÓN ) -"É preciso rezar pela família na Espanha": este é o principal motivo pelo qual milhares de famílias cristãs, precedentes de toda a Espanha, acudirão à praça de Colón de Madri, no próximo Domingo 28, para participar da Eucaristia convocada pelo cardeal Rouco Varela.


É o caso de José Luis e Rut, um casal de Saragoça pertencente ao Caminho Neocatecumenal que comparecerá com seus cinco filhos.


Assistir ao encontro em Madri lhes supõe um grande sacrifício, tanto físico como econômico: serão gastos mais de 400 euros entre o transporte (viajarão em AVE) e o alojamento (no hotel mais barato da cidade). Mas o esforço vale a pena, porque "é preciso rezar pela situação da família na Espanha, apoiá-la e dar testemunho de que Deus nos está ajudando". José Luis assegura que "nós temos a sorte de conhecer a Deus e, por este motivo, queremos transmitir a fé a nossos filhos". E que melhor momento para fazê-lo do que levá-los à eucaristia em Colón, na qual seus filhos, apesar de sua pouca idade (o menor tem apenas um ano), se verão rodeados de milhares de crianças que, como eles, nasceram no seio de uma família cristã.


Com eles também estarão os três filhos de Luis e Teresa Crespí, que comparecerão à missa porque "o pede o cardeal Rouco e é muito bonito manifestar o sacramento da eucaristia no meio da rua". Ademais, crêem que este encontro servirá para "sentir a comunhão da Igreja e como sinal para a sociedade de nossa forma de entender a família". São madrilenhos mas passaram suas férias de Natal em Barcelona, uns dias de descanso que este ano se verão recortados, já que retornarão antes do previsto para poder assistir à Eucaristia em Colón. Juntamente com outras famílias de sua paróquia, a de São José de Madri, Luis e Teresa percorreram as cidades da serra madrilenha para anunciar o encontro a todos os fiéis que assistem às missas dominicais. Uma experiência muito grata, já que os fiéis se sentiram muito agradecidos por sua visita e animados a comparecer à Eucaristia pela família. Um anúncio que repetiram outras muitas famílias da Espanha.

sábado, 20 de dezembro de 2008

O Homem que não Dorme



Poema de Charles Péguy, poeta francês (1873-1914):

Não me agrada o homem que não dorme
e que arde em sua cama de preocupação e febre

Não me agrada o homem que ao se deitar
faz planos para o dia seguinte,
o tonto!

Sabe ele por acaso
como se apresentará o dia seguinte?
Sabe sequer a cor do tempo que vai fazer?
Faria melhor em rezar.

Porque eu nunca neguei o pão de cada dia
ao que se abandona em minhas mãos
como o bastão na mão do caminhante

Me agrada o que se abandona em meus braços
como um bebê que ri
e que não se preocupa com nada
e vê o mundo através dos olhos de sua mãe.

Mas o que se põe a fazer cavilações
para o dia de amanhã,
este trabalha como um mercenário,
trabalha terrivelmente como um escravo
que dá voltas a uma roda sem fim
e -- isto entre nós -- é um imbecil.

E até me disseram que existem homens
que trabalham bem
e dormem mal,
que não dormem nada.
Que falta de confiança em mim!

Isto é quase mais grave do que se trabalhassem mal
e dormissem bem,
porque a preguiça
é um pecado menor do que a inquietude, do que a desesperação
e do que a falta de confiança em mim.

Governam muito bem durante o dia
os assuntos do dia e depois não se atrevem
a confiá-los a mim durante a noite.

O que não dorme de preocupação
é infiel à Esperança,
e esta é a pior infidelidade.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Redescobrindo o próprio batismo

No dia 29 de outubro de 2006 estávamos nós, as 1ªs comunidades das paróquias Imaculada Conceição em Caconde, Santa Isabel em São Carlos, e Santa Margarida Maria em São Paulo, na Praça de São Pedro, onde ouvimos o discurso do Ângelus de Bento XVI. Por misericórdia de Deus, seu discurso parecia dirigido especialmente a nós, de tal forma recordava o que estávamos lá vivendo e testemunhando, de tantos anos vividos no Caminho Neocatecumenal.

O Papa comentou o encontro do cego Bartimeu com Jesus Cristo:

No Evangelho deste Domingo (Mc 10, 46-52) lemos que, enquanto o Senhor passa pelas estradas de Jericó, um cego chamado Bartimeu se dirige a Ele gritando: "Filho de David, Jesus, tende piedade de mim!". Esta oração comove o coração de Cristo, que pára, o manda chamar e o cura.

O momento decisivo foi o encontro pessoal, directo, entre o Senhor e aquele homem que sofre. Encontram-se um diante do outro: Deus com a sua vontade de curar e o homem com o seu desejo de ser curado. Duas liberdades, duas vontades convergentes: "Que queres que Eu te faça?", pergunta o Senhor. "Que eu recupere a vista!", responde o cego. "Vai, a tua fé te salvou". Com estas palavras realiza-se o milagre. Alegria de Deus, alegria do homem. E Bartimeu, vindo à luz narra o Evangelho "começou a segui-lo no seu caminho": isto é, torna-se um discípulo e sobe com o Mestre a Jerusalém, para participar com Ele no grande mistério da salvação. Esta narração, na essência da sua sucessão, recorda o itinerário do catecúmeno rumo ao Sacramento do Baptismo, que na Igreja era também chamado "iluminação".

Depois, Bento XVI referiu às novas propostas de evangelização para adultos:

A fé é um caminho de iluminação: parte da humildade de se reconhecer necessitados de salvação e chega ao encontro pessoal com Cristo, que chama a segui-l'O pelo caminho do amor. Sobre este modelo se orientam na Igreja os itinerários de iniciação cristã, que preparam para os sacramentos do Baptismo, da Confirmação (ou Crisma) e da Eucaristia. Nos lugares de antiga evangelização, onde está difundido o Baptismo das crianças, são propostas aos jovens e aos adultos experiências de catequese e de espiritualidade que permitem percorrer um caminho de redescoberta da fé de maneira madura e consciente, para assumir depois um coerente compromisso de testemunho.

Como é importante o trabalho que os Pastores e os catequistas realizam neste campo! A redescoberta do valor do próprio Baptismo está na base do compromisso missionário de cada cristão, porque vemos no Evangelho que quem se deixa fascinar por Cristo não pode viver sem dar testemunho da alegria de seguir os seus passos. Neste mês de Outubro, compreendemos ainda mais que, precisamente em virtude do Baptismo, possuímos uma vocação missionária conatural.

Ao final do Ângelus, o Papa dirigiu-nos uma saudação especial:

Uma saudação afectuosa aos grupos brasileiros das paróquias Imaculada Conceição em Caconde, Santa Isabel em São Carlos, e Santa Margarida Maria em São Paulo, e demais peregrinos de língua portuguesa, sobre cujos passos e compromissos cristãos imploro, pela intercessão da Virgem Mãe, a benevolência divina: deixai Cristo tomar posse da vossa vida, para serdes cada vez mais vida e presença de Cristo!




sábado, 13 de dezembro de 2008

Um trabalho em andamento (III)



Graças ao Senhor! Praça de São Pedro - Roma

Esta foto foi tirada em Roma, no interior do ônibus, quando nos dirigíamos à Praça de São Pedro, onde assistiríamos ao Ângelus com Bento XVI, dia 29-10-2006.

Foi uma manhã maravilhosa e ensolarada, que fazia resplandecer mais forte a beleza do Vaticano e da Praça de São Pedro. Todos nos alegramos, tiramos fotos, etc... Foi um momento de júbilo, em que se fizeram presentes todos estes anos de Caminho Neocatecumenal, com suas alegrias e tristezas compartilhadas, vitórias e sofrimentos.

Chegar até lá foi realmente um dom de Deus, que tantas vezes abriu o Mar Vermelho diante de nós, fazendo com que vencêssemos o medo da morte e do sofrimento, que nos abríssemos à vida, libertando-nos tantas vezes do nosso egoísmo.

Com fotos tiradas neste dia, fiz um vídeo, tendo com fundo musical o canto Graças a Iahweh! - Sl 136 (135).


Para saber mais sobre esta série, clicar aqui.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Construindo (e Reconstruindo) a Igreja (IV)

A primeira mensagem é a da unidade e universalidade, a qual deriva do Evangelho que aqui nos impressionou. Quantas coisas tal mensagem nos obrigaria a recordar! o suficiente para ouvir, nem mesmo um eco, mas uma repetição tornada simples como uma fórmula verbal, mas extremamente realista e desafiadora, ressonante na palavra extrema e comovente de Cristo, na iminência de sua paixão: "que todos sejamos um" (cf Jo 17,11; etc.). Que esta palavra testamentária do Senhor ecoe sempre. Que se torne trombeta estridulante para todos os povos; que chame a todos os que tiverem o ouvido do espírito atento à chamada divina. Que seja oferecida como um jogo amoroso do Senhor, um colóquio com ele. Escutar é aqui a primeira forma de oração, de expressão espiritual sincera, disposta a o enxertar o que ouve no desígnio do interlocutor divino.

E, em seguida, a segunda mensagem, aquela relativa à construção; a construção da Igreja, que Cristo mesmo opera na história; uma construção que para nós, filhos do tempo, está, se podemos dizer, sempre no princípio. Todo o trabalho realizado nos séculos que nos precederam não está isento da colaboração com o divino construtor, senão que nos chama, e não apenas a um fiel trabalho de conservação, e nem mesmo de passivo tradicionalismo, nem de hostil refutação à perene inovação da vida humana; convida-nos a recomeçar de novo, atentos sim, e custódios ciumentos do que a autêntica história da Igreja acumulou para esta e para as futuras gerações, mas conscientes de que o edifício, até os últimos dias, requer trabalho novo, requer construção fatigosa, fresca, genial, como se a Igreja, o divino edifício, devesse iniciar hoje sua aventurosa subida às alturas do céu (cf. 1Cor 3,10; 1Pd 2,5). Que sacudamos a fadiga, a preguiça, a desconfiança, o autolesionismo da contestação sistemática, e com frescor juvenil, com audácia genial, com humilde, grande fidelidade, tentemos interpretar nas necessidades da sociedade o projeto que Cristo, o edificador, prepara para os seus.

Sejamos nós dos seus. Com nossa Bênção Apóstólica.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Construindo (e Reconstruindo) a Igreja (III)

Conforme já expliquei no início desta série, transcrevo nesta postagem a primeira parte da primeira alocução de Paulo VI . Aqui Paulo VI se refere inicialmente à palavra que Cristo disse a Pedro: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18), e convida os ouvintes a descobrir a grandeza de serem Igreja:

Vós, que viestes visitar e venerar a sede do humilde sucessor do Apóstolo, Simão, filho de Jonas, pelo próprio Cristo chamado Pedro, qual palavra, qual profecia, qual destino histórico estais buscando, não apenas no local de seu túmulo, mas no troféu espiritual que aqui glorifica sua memória e simboliza a missão espiritual? Não sentiste reviver em vossa alma precisamente a promessa que Jesus transmitiu ao Apóstolo, quando lhe disse: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18)? Palavra fatídica, que aqui parece adquirir um significado sensível, e que não cessaremos mais de meditar, repercutem como parece ser, não puramente sobre o edifício no qual nos encontramos escrutando, admirando e rezando, mas sobre a instituição, que aqui tem seu ponto cardeal e seu coração, e que a todos nos envolve, e revela nosso nome, comuníssimo e mais do que nunca misterioso: nós, nós somos Igreja, a Igreja, o corpo histórico, visível e ao mesmo tempo espiritual e transcendente ao nosso cenário histórico, o Corpo místico de Cristo! Para este lugar abençoado, para este momento privilegiado, o anúncio messiânico e divino foi pronunciado e proclamado: "Eu, Eu Jesus o Cristo, Filho do Deus vivente, edificarei minha Igreja".

Temos todos de ouvir, repensar, e na medida do possível, compreender. Tomemos por hora um vocábulo: "Eu, o Senhor (cf Is 9,4-6), edificarei...". Edificar, o que isto significa? Significa construir, tomar material informe e disperso, e, conservando sua estrutura essencial, modelá-lo, uní-lo, compaginá-lo em um plano arquitetônico, e conferir-lhe a utilidade e a dignidade de um único desenho, refletindo um pensamento, uma finalidade, uma beleza, que é a de todos os componentes materiais individuais, e de todo o mesmo edifício. Esta é a idéia de Cristo acerca da humanidade, acerca do reino de Deus, acerca da construção. Este é o reino de Deus, de cujo Evangelho porta o anúncio, esta é a Igreja, que Cristo diz "minha", esta é a humanidade permeada pelo desenho da salvação. Esta é a chave para a inteligência da Escritura: leia-se a história de Abraão (cf Gn 12,3; Gl 3,8ss); a história de Israel (Gl 6,15-16; Rm 9; etc.); a história da Igreja nascente (At 11,17-18; etc.); este é o pensamento divino operante na história da humanidade, e no segredo da alma, que escuta o Mestre interior. Mas não é o caso. Recolhamos ao invés a dúplice mensagem, que se faz nossa, de cada um, e cheia de energia confortante.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Dia histórico na CCJ

O Projeto de Lei 1135/91, que modifica o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) para suprimir a criminalização do aborto (na prática a legalização do aborto no Brasil) foi derrotado em votação histórica na Comissão de Seguridade Social e Família. Depois que os deputados favoráveis (à descriminalização) se retiraram do Plenário, o resultado foi 33 x 0 em favor da vida. Uma das razões para essa grande vitória foi a mobilização das bases, manifestando-se junto aos deputados de seu Estado.

Posteriormente, o projeto foi rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A comissão acolheu o parecer do relator, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que considerou a proposta inconstitucional.

Manifestaram-se contra o parecer do relator apenas os deputados José Genoíno (PT-SP), Eduardo Valverde (PT-RO), José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Regis de Oliveira (PSC-SP).

Mais uma vitória em defesa da vida!


sexta-feira, 11 de julho de 2008

Recordando Loreto, 1995

Nunca participei de uma JMJ, mas em 1995 o Papa João Paulo II promoveu um encontro de jovens da Europa na Esplanada de Montorso, em Loreto (o texto desta homilia está em italiano). O Caminho Neocatecumenal levou também jovens da América. E lá estive eu.

Dentre as recordações desta viagem, muitas cenas marcantes. Hospedados em uma cidade próxima, fomos a pé até a esplanada, através de uma estrada pela qual passavam jovens de todo o mundo. Foi impressionante. Íamos cantando. O canto "Quero andar a Jerusalém", ficou-me impresso na memória:

Quero andar, mãããaaaaae, aáááaaahh Jerusalééeeem.

A comer as ervas. E saciar-me delas.

Foram muitas e diferenciadas emoções. A primeira viagem de avião. Roma, onde estivemos vários dias, e assistimos a uma das audiências públicas de João Paulo II nas quartas-feiras, com direito a assentos reservados na Praça de São Pedro. Vi toda a riqueza da Basílica de São Pedro, e por trás de uma porta de vidro o belíssimo túmulo de São Pedro. Visitamos diversas cidades e santuários italianos. Em Florença estivemos na Paróquia São Bartolomeu, em Scandicci, onde Kiko Argüello pintou o que deve ser a 1ª versão de sua célebre "Corona Mistérica".

De Assis ficou uma das imagens mais marcantes. O túmulo de São Francisco. São Francisco está lá, sepultado em uma coluna de pedra. Um túmulo humilde e impactante. Se a visita a um santuário é um encontro com uma presença, lá tive diante de mim a São Francisco, com sua singular e chocante vida na pobreza.

Tivemos um encontro vocacional com os iniciadores do Caminho em Porto San Giorgio, bem perto de Loreto, outro belíssimo lugar. Daquele encontro guardei o que disse Cármen Hernandez. A todos nós que lá estávamos, Deus chamava a uma grande missão.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quem foi Giorgio Frassati? (III)

Convida um dia um de seus amigos a um maior compromisso de caridade, a visitar e atender aos mais pobres. O amigo lhe diz que tem medo, que não se atreve a entrar em casa miseráveis, onde tudo é sujeira, onde as enfermidades contagiosas predominam por toda parte. Pier Giorgio lhe responde com sinceridade e convicção: visitar os pobres é visitar a Jesus!

Entre os pobres a providência havia previsto a chegada de sua hora definitiva. Num dias dos finais de junho de 1925, o perigo se faz realidade. Pier Giorgio contrai, depois de uma de suas visitas, uma poliomielite fulminante.

Começa a sentir fortes dores de cabeça e perde o apetite. Em sua casa, entretanto, não dão muita importância, pois tem apenas 24 anos e é um jovem robusto. Além disto, a avó se encontra em estado grave, e todos estão voltados para ela.

Pier Giorgio sente como o mal avança, sem que seja atendido devidamente. Só quando se encontra já em uma situação dramática, seus pais se dão conta e reagem. Demasiado tarde. Desesperados, pedem um soro especial ao instituto Pasteur de Paris, mas já não há nada por fazer.

Com a humildade e o desapego com o qual havia vivido enfrentava agora, em plena juventude, a morte. Ou melhor, o encontro com aquele Jesus que tanto havia amado, pelo qual havia lutado na universidade e na rua, entre os pobres ou entre os jovens de classe média pouco ativos em sua fé.

Por isto não pareceu estranho seu último gesto. Pediu a sua irmã Luciana que pegasse em sua casa uma caixa com injeções, e escreveu por cima o endereço da pessoa à qual se devia levar o remédio.



A morte chegou em 4 de julho de 1925. Os funerais se realizaram dois dias depois. Foram uma explosão de carinho e afeto dirigidos a um jovem que havia vivido para os demais. Foram também o momento no qual os pais de Pier Giorgio descobrem realmente quem havia sido seu filho, quanta gente o queria, o muito que havia feito, com simplicidade, sem espavento, nas longas horas que passava fora de casa.

"Viver sem fé, sem um patrimônio que defender, sem manter uma luta pela Verdade não é viver, mas empurrar com a barriga...". A vida de Pier Giorgio foi, realmente, vida. Porque amou sua fé, e porque sua fé o levou a amar e a servir Jesus em seus irmãos.

Fernando Pascual






Quem foi Giorgio Frassati? (II)

Quando chega à Universidade, percebe um ambiente hostil contra tudo o que cheira a catolicismo. Pier Giorgio não hesita em promover atividades espirituais entre os universitários. Arriscando-se ás vezes a mais de um choque violento com grupos intolerantes (estes que se presumiam "liberais", "libertadores comunistas", ou de "patriotas", nas fileiras do fascismo).

No painel de anúncios da Universidade de Turim põe um dia, entre as muitos cartazes e folhetos que falam de festas e diversões, um cartaz convidando os estudantes à oração noturna. Os "anticlericais" decidem intervir para arrancar a "provocação" de Pier Giorgio. Ao chegar, se encontram defronte a um jovem, que defende energicamente o direito de expressar suas próprias convicções. No final o painel cai, completamente destruído, e o anúncio de Pier Giorgio é feito em pedaços...

Além do trabalho com os jovens universitários, Pier Giorgio quer dedicar-se aos mais necessitados, aos pobres, aos enfermos. Encontra também tempo para acompanhar a um sacerdote dominicano que dá catequeses aos meninos de um bairro operário, para defendê-lo dos insultos e agressões de alguns comunistas ameaçadores, e não poucas vezes se chega aos golpes...

Quando o fascismo chega ao apogeu na Itália, Pier Giorgio intui o caráter anti-católico (e anti-humano) da nova ideologia, e não hesita em confrontar-se com os novos inimigos. Fica especialmente irritado ao ver como alguns católicos demonstram sua simpatia aos fascistas. Sua fama de inimigo do novo poder chega a ser conhecida. A tal ponto que, em um domingo, quando Pier Giorgio tem uma refeição em casa com sua mãe, um esquadrão de fascistas entra para destruir tudo. Nosso jovem aparece na sala de visitas, arranca um bastão de um dos agressores e, com o bastão na mão, os obriga a fugir.

É uma vida apaixonante: compromisso social, compromisso político, compromisso militante em numerosas organizações católicas, especialmente nos grupos de universitários católicos. Compromisso, como já dissemos, entre os mais necessitados.

A muitos impressiona ver o filho dos Frassati pelas ruas, com um carro cheio de quinquilharias de gente pobre que busca uma casa, ou quando visita filhos de operários para dar-lhes catequeses. Em sua família têm-no por louco. Quase sempre chega tarde, freqüentemente sem dinheiro. Não duvida em dispensar o ônibus para dar o que lhe resta a quem possa necessitar de uma esmola.





Quem foi Giorgio Frassati? (I)

Tradução de uma reportagem em espanhol, do site Idyanunciad.com.

JMJ SIDNEY 2008: Pier Giorgio Frassati, com os jovens na Austrália

As relíquias do beato Pier Giorgio Frassati acompanharão aos jovens católicos durante os dias da Jornada Mundial d Juventude, em Sidney (15-20 de julho de 2008). Quem foi este jovem? Por que é apresentado como um exemplo para a juventude?

Pier Giorgio nasceu em 6 de abril de 1901, em uma rica família de Turim. Seu pai, Alfredo, era o fundador do jornal La Stampa, no qual eram divulgadas ideías liberais, certamente não favoráveis à Igreja. Alfredo chegou a ser embaixador da Itália na Alemanha, o que permitiu a sua família viver e estabelecer amizades no mundo alemão.

Pier Giorgio recebeu em sua casa uma educação correta, mas sem uma fé vivida. Ao iniciar a adolescência sentiu uma forte necessidade de aprofundar-se no Evangelho, de ser um cristão cem por cento. Por isto foi membro de um grande número de associações católicas: tinha um grande desejo de conhecer mais sua fé, de crescer na vida de oração, de viver em um sincero compromisso pelos demais, seja na assistência social, seja no ensinar e dar testemunho de suas convicções cristãs.

Entre seus escritos encontramos estas linhas que explicam por si mesmas o que havia em seu coração: "Cada dia compreendo melhor a graças de ser católico. Viver sem fé, sem um patrimônio que defender, sem manter uma luta pela Verdade não é viver, mas empurrar com a barriga... Através de cada desilusão, inclusive, temos que recordar que somos os únicos que possuímos a verdade".